Monday, July 2, 2007

The Who- Who's Next


The Who- Who's Next Considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos, Who’s Next, foi lançado em 1971 no dia 25 de Agosto no Reino Unido, a explorou todas as técnicas e tecnologia de estúdio até a limite e foi uma das primeiras bandas a utilizar sintetizadores e samples. Esta obra prima é reconhecida como a maior obra prima da banda tanto pelo publico como pelos críticos. O álbum surgiu das cinzas do desastroso projecto Lifehouse que não chegou a ver a luz do dia. Pete Townshend pretendia organizar um concerto e utilizar os dados pessoais do publico para depois transferir para um sintetizador análogo ARP para criar musicas contínuas que complementava num só como se tratasse duma história cinematográfica, apesar de ser também um dos objectivos de Pete Townshend em criar um filme. O projecto comprovou ser irrealizável de vários maneiras, o que provocou um grande desentendimento entre Pete e o produtor da banda, Kit Lambert, levando o guitarrista às raias de um colapso nervoso quase suicida. A banda começou tudo no zero, apesar de aproveitarem de algumas canções do projecto Lifehouse, foi graças ao engenheiro de som, Glyn Johns que proporcionou uma nova visão que revolucionou todo o álbum e de imediato iria transformar todas as faixas em clássicos do rock. O álbum apresenta arranjos de grande qualidade, com grandes avanços, com um resultado absolutamente espantoso para a época, e praticamente inédito no rock. Who’s Next começou por ser divulgado informalmente com a banda a tocar o material na sala de espectáculos Young Vic, em Londres, em três Segundas feiras consecutivas na Primavera de 1971. O álbum abre com Baba O’Riley, um dos temas do projecto Lifehouse, tem a maravilhosa introdução, edificada de uma forma soberba graças ao sintetizador ARP e ainda um solo de violino por Dave Arbus. Uma das melhores faixas, sem duvida. Bargain, puro hard rock, estimulante e poderoso com uma secção psicadélica no centro da faixa. A letra relata sobre a baixa auto-estima do guitarrista. Love Ain’t For Keeping é justamente rock mas mais soft e uma mistura funk. My Wife é um tema enlouquecido, boogie destravado e vozes corais em tom grave. Um rock and roll doutra maneira. A balada The Song Is Over atinge um sinal épico e o apogeu do lirismo que Pete tanto tenta. Os sintetizadores dão vida á faixa e um ambiente quase surrealistico. Para quem duvidasse da capacidade dos The Who para criarem um tema subtil de paixão The Song Is Over diz tudo. Gettin In Tune começa calma, com Pete Townshend no piano mas o refrão atinge o máximo de força até não mais poder. Uma balada moderna para aqueles tempos. Deveria ser lançado como single devido ao seu potencial. Going Mobile é a única cantada unicamente por Pete Townshend o que prova que sabe cantar tão bem como Roger Daltrey. Behind Blues Eyes é actualmente mais conhecida por ser um êxito dos Limb Bizkit, mas os The Who já eram donos deste tema excepcional mesmo antes de ser apresentado á nova geração. A versão original como sempre consegue superar a cópia. Roger Daltrey consegue ter a proeza de cantar o tema magnificamente como nenhum seria capaz com este tema. Um clássico, disso ninguém duvida. O tema mais épico da banda é também o melhor. Falo de Won’t Get Foleed Again. Uma viagem interminável com riffs poderosos da guitarra de Pete, sintetizadores com sonoridades nunca antes imaginadas pelo homem, a bateria furiosa do frenético Keith Moon e um baixo estrondeante de John Entwhiste. Presença obrigatória em todos os concertos! quanto á capa do disco traz uma fotografia da banda que acabou de urinar num imenso bloco de concreto; a foto parece ser uma referência ao monolito descoberto na Lua no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, que fora lançado apenas três anos antes. O “monumental” desrespeito pode ser também, assim como o título do disco, uma recusa simbólica da banda de passar o restante de sua carreira tocando Tommy. O mictório de pedra presente na capa fica em Easington District Collliery, em County Durham. O projecto inicial para a capa apresentava fotos de mulheres grotescamente obesas e nuas, sendo amplamente divulgada mas nunca apareceu no álbum. Outra capa diferente trazia o baterista Keith Moon a usar uma lingerie preta, um chicote e de peruca loira (esta foto apareceu no livrete do CD remasterizado). Por ultimo, a banda nunca foi tão criativa como neste álbum. É um clássico que se consegue ouvir incansavelmente durante uma vida inteira.

LP: "Baba O'Riley" – 5:59 "Bargain" – 5:34 "Love Ain't for Keepin'" – 2:11 "My Wife" (Entwistle) – 3:41 "The Song Is Over" – 6:16 "Getting in Tune" – 4:50 "Going Mobile" – 3:43 "Behind Blue Eyes" – 3:39 "Won't Get Fooled Again" – 8:32

Metallica- Master Of Puppets

Esqueçam os anos 90 em que os Metallica apareciam sempre no MTV, esqueçam o seu som comercial, a sua impotência, as suas almas vendidas para o diabo e tentam lembrar-se dos verdadeiros Metallica, uma banda de trash metal. Após este grande álbum, cheio de energia, maduro e vertiginoso, injustamente morreria Cliff Burton, baixista, num acidente de autocarro durante a tour, na Suécia, em 1986. Mesmo sem um Hit, sem passar nas rádios ou na televisão, Master Of Puppets conseguiu vender mais de 500.000 cópias! Kill ‘Em All (o mais feroz de todos) e Master Of Puppets são considerados os melhores segundo os fãs. Aqui neste maravilhoso fogo o álbum é determinado por uma agressividade extrema no entanto musicalmente muito mais elaborado, as letras muito mais profundas e agressivas tornam-se mais progressivas donde forjaram uma batida única e martelada. Battery cai um bocado de lado quanto ao som, o intro é fantástico, donde abre com uma melodia calma passando de repente para algo agressivo que iria perdurar até ao álbum inteiro. Master Of Puppets, unico! Para quem é fã metaleiro deve gostar realmente desta pérola, com refrães sem misericórdia (...”Master, Master, Just call my name, ‘cause i’ll hear you scream”...). The Thing That Should Not Be traz algumas partes influenciadas pelo ultimo, o Ride The Lighting, mas excelente na mesma. A voz de James Hetfield mostra-se espantosamente melodiosa e aguda passando de seguida para algo grave em Welcome Home (Saturium). Agora vem a minha favorita, Disposable Heroes rápida, veloz, riffs a uma velocidade acima de um raio de luz dispensa de apresentações. 100% trash metal, letras arrogantes e enraivadas (...”You coward, you servant, you blind man...”) sobre morte e guerra, com grandes solos (já clássicos) de Kirk Hammett e de uma duração de mais de 8 minutos de agressividade extrema, pena não ser single. Leper Messiah, enche já esta usina cheia de clássicos, mais uma vez espanta a todos e a ninguém com grandes riffs e solos, mas curiosamente já mostra alguma influência do que está para vir (tanto no ...And Justice For All como no Black Album), o ponto alto está também para Lars na bateria. Orion, é um instrumental com grandes solos de baixo do falecido Cliff e guitarrada de Kirk, começando num ambiente calmo e quase silencioso alternado para algo como se movesse como vento, tornado mais pesado com o passar do tempo! Damage, INC fecha em grande estilo, um tema forte (“…Blood will follow blood, Dying time is here, Damage Incorporated…”) para destaque vai os solos rápidos de Kirk. Infelizmente depois deste só haveria álbuns de pouca qualidade e com o tempo foram perdendo a sonoridade enraivecida que já era marca registada dos Metallica.

Monday, June 25, 2007

Dire Straits- Dire Straits

Os Dire Straits foram uma das bandas mais carismáticas no final da década 70 e metade de 80. Formada em 1976 pelo guitarrista/vocalista Mark Knopler, que antes era professor de literatura inglesa, pelo seu irmão, também guitarrista, David Knopler , o baixista John Illsley e o baterista Pick Withers. Com esta formação gravaram a demo Sultans Of Swing que rapidamente tornou-se num sucesso no meio underground. Em 1977 seguiram numa digressão mundial para a primeira parte dos Talking Heads. Nesse mesmo tempo foram contratados pela Vertigo onde, como se sabe, gravaram o seu primeiro álbum. Curiosamente os Dire Straits alcançaram sucesso nas paradas britânicas no meio do punk e new wave que dominavam desde então o mercado inglês. O som da banda era demasiado complexo, tipicamente pub e com raizes country americano, rock clássico, jazz e influências fortes de J. J. Cale o que faz a banda sair da corrente musical que se vivia naquela altura. Mark Knopler, não só professor como também critico de rock, um guitar g«hero para as novas gerações, bonacheirão e indolente (voz arrastada como a de Bob Dylan, mas menos analasada), com uma técnica muito particular (os seus arpejos com as pontas dos dedos farão sofrer muitos guitarristas amadores), Mark Knopler apura com este primeiro álbum, produzido por Muff Winwood. O álbum abre com Down To The Waterline, o inicio fica para Mark Knopler na acústica passando para o country eléctrico, como se estivesse a ver um filme de cowboys. Water Of Love, lança um pouco de raízes africanas, percebe-se que a banda atravessa o seu melhor momento com este álbum. Setting Me Up, funk/rock descontraído com um pouco de influencias southern rock. Six Blade Knife, funk rock altamente pesado com influencias um pouco de hard rock do seu tempo. Southbound Again, um tema surpreendente, a voz de Mark Knopler encaixa perfeitamente nos velhoes blues. Um tema predilecto para quem ouve. Sultans Of Swing (nº 4 nos EUA e nº 8 no Reino Unido) é daqueles temas que fica para sempre na história da banda. a obra-prima de Mark Knopler que nunca mais conseguirá igualar e tentará imitar (como em Walk Of Life), o tema demonstra também um talento para o ambiente live, daqueles hinos de estádio, é claramente influenciado pelo jazz/rock. saiba-se que os System Of A Down coverizáram-na! In The Gallery, balada poderosa e doce , tema épico e magnificamente orquestrado pela técnica tipica de Mark Knopler. Marca também o aparecimento do lirismo mais progressivo (que tentará fazer em Love Over Gold). Wild West End é um tema ilustrado pela fórmula soul/pop/rock. Embelezada pela leveza da acalmação perfeita, um tema country e reflexivo. O pop perfeito que tantos artistas tentam encontrar (alguns conseguem) está no tema Lions, o tema apropriado para fechar este clássico. Podiam não saber mas os Dire Straits lançaram o melhor álbum (juntamente com Brothers In Arms), não cansará dele, vai impressioná-lo e ainda ouvir vezes sem contas o álbum que deu a conhecer a banda ao publico internacional. Um must.

Sunday, June 17, 2007

Patti Smith, A Maria Rapaz

Tudo começou numa bela manhã por volta das oito horas. Uma manhã gélida, as folhas acastanhadas de Outono embaralhavam-se no leito da estrada de alcatrão e num quiosque mesmo ao lado da paragem onde costumo apanhar o autocarro compro o jornal O Publico, o jornal de eleição para me actualizar. Até ai tudo bem. Como se sabe eu sou um fã feroz e sagaz que vivo no mundo de rock and roll e como se sabe mantenho-me informado sobre esse mundo paradoxo. Cada obra prima como A Night At The Opera ou The Wall representa um mundo para além deste mundo que toda a gente desconhece menos eu, um lugar só meu. Um esconderijo escondido em mim.
Não obstante, abro a página nº 24 da revista suplente «Y», uma revista obrigatória para comsumidores saciáveis de cultura e deparo-me para com Patti Smith. Sim o nome dela não me era estranho. Sim sabia de que década teve ela a sua primeira repercussão mas não sabia que musica fazia ela. Rock and Roll? Blues? Jazz? Ou Pop? O artigo não falava propriamente sobre essa tal cantora mas sim sobre o álbum Horses. as críticas, como pude observar, foram excelentes o que me levou a matar a minha curiosidade ao comprar estes álbum tão místico como pronunciara. Devo dar os meus parabéns pelo excelente artigo a Kathleen Gomes. O álbum representa, segundo a sua sonoridade, um post punk surgido dois anos antes da fama dele, uma maria-rapaz a cantar em altos berros mas com uma voz doce, bela e magistral. Liricamente, as letras retratam a sociedade, os tempos dificeis e os sonhos que temos que alcançá-los com muito esforço e suor. fala de Patti Smith na 1ª pessoa. Influências á parte só de Rimbaud, Jim Morrison e Bob Dylan, essas personagens tão conhecidas viriam a fazer parte da adolescência de Patti. A capa por si já vale muito no que diz respeito à cantora enraizada, fotografia tirada pelo fotógrafo lendário Robert Mapplephorpe e concepção da própria. Os musicos eram de alta qualidade e de um profissionalismo indeterminável, um deles fizera parte dos Television, o produtor era John Cale (ex-Velvet Underground). «Sou uma rapariga a fazer o que os gajos faziam habitualmente...», falara ela e bem. Um dia um critico vira um dos concertos de Patti e ficara surpreso por ela cuspir em palco e pronunciar algumas palavras «motherfuckers!». Era um dínamo vivo, basta ouvir a cover dos The Who, My Generation como bónus no Horses e saberão do que eu estou a falar. por fim saciei a minha curiosidade ao meter no meu PC e ligar no play. Foi um caso unico. bastou a musica para prevenir a loucura sobressaltada que ela transmitia. já descobri todos os cantos do mundo do rock in roll, já nada é novidade, saciei um pouco de tudo e até um mais de tudo. Como é vertiginoso este caminho. Como dizia Freddie:« O espectáculo deve continuar» e com toda a razão. O Horses foi um dos poucos e restantes álbuns a surpreender-me e curiosamente descobri por fim quem era a misteriosa intérprete que cantava «Because The Night», que passava frequentemente na rádio Comercial. Mas agora sei. é certo que ela não era uma daquelas raparigas Pop stars como Britney Spears ou Jennifer Lopez. É certo que ela não tinha unhas pintadas, lábios com baton, pó de arroz ou um corpo perfeito como aparece nessas caras tão perfeitas e de falsos sorrisos em que se vê nos prémios da MTV. Mas ela tinha e ainda tem estilo. A poesia que conseguiu transmitir é surpreendente. Ela foi determinada a conseguir chegar aonde sempre quiz. Com esforço e muito suor. Nunca quiz fama. Só dignava que alguém entendesse a sua musica. Nos dias de hoje raparigas como esta já não há. Tudo culmina à perfeição. já não há sinceridade por trás das camâras. Como já disse só há Britney speares ou Jenifferes, ou seja a musica plástica. Trinta anos não bastaram para que Horses, o melhor de Patti, caisse no esquecimento. O artigo que aqui escrevo é pela simples razão de prestar homenagem á verdadeira musa da musica. Ave Patti Smith!

Bad Company- Bad Company

Uma banda como os Bad Company não podiam resultar melhor que isto! Definindos como super banda e com razão: Paul Rodgers (apesar da proposta irresistivel de substituir Ian Gillian dos Deep Purple decide avançar com o seu novo projecto) caracterizado pela sua voz de blues apaixonantes, pelo Simon Kirke ambos dos Free, por Mick Rhapls (insatisfeito com a liderança de David Bowie nos Mott The Hopple sai de imediato e entra a convite para os Bad Co.), e por Boz Burrell dos King Crimson. Empresariados pelo lendário Peter Grant (também empresário dos Led Zeppelin) assinam contrato para a inexperiente gravadora Swan Song e logo no inicio lançam Bad Company e o sucesso é imediato ocupando o primeiro lugar nos EUA e ocupando a terceira posição no Reino Unido. As suas letras entram nas linhas básicas em que descreve o amor não conseguido e a necessidade de «refrescar as ideias» vadiando. Em termos líricos e visuais os Bom Jovi bem podiam ser os Bad Co nos anos 80 já que prefiguram com similaridade. O disco apresenta-se de blues e rock in roll quase clássico e quase pré-moderno ou seja: eles encontraram uma sonoridade única que iria definir a banda nos próximos discos. Baladas roqueiras de sucesso iriam ser a marca registada da banda. Comecemos por Can’t Get Enough. A faixa apresenta um blues pesados e quase hard rock e decerto que para quem é fã do rock setecentista não vai desiludir com esse clássico fartamente passado nas rádio fm de rock. É uma canção que fala de amor nada mais mas que torna-a num clássico é pelas guitarradas de Simon Kirke. A Rock Steady, na minha opinião a melhor de todas, com ingredientes básicos mas Paul dá um toque especial graças à sua voz única. O intro e os refrães não desapontam. Ready For Love com um blues quase funk e badalado pela voz charmosa de Paul. Se para quem gosta de gospel com coros em uníssono decerto que a Don’t Let Me Down é a canção certa para os seus ouvidos. Bad Company não desiludi tal como o resto das faixas, não é só mais uma para preencher o álbum mas sim mais um clássico. As memoráveis linhas «Till the day I die» são tipo quase teatrais de um clima avassalador ou tipo cabaret em que está num estado melancólico. Pura poesia. O ponto alto também está presente no baixo alinhado de Boz Burrell e Paul toca piano na mesma tal como em Don’t Let Me Down. The Way I Choose uma balada quase jazz que percorre também blues de letra em que narra momentos de lamentos no passado. O rock in roll aperta-se em Movin’ On num estilo quase cowboy e cheio de estilo com grandes solos de Mick Ralphs. Seagull é simplesmente maravilhosa. Estou certo se fosse lançado em single seria um sucesso de tabelas. Uma balada quase country, a Seagull é simplesmente soberba, é dificil odiar este clássico. Paul nunca esteve melhor, Mick nunca tocou excelentemente guitarra acústica como aqui. Num clima tipo «hippie» a harmonia está presenciada fazendo lembrar o coral de Simon e Grafunkel. Para quem gosta de rock clássico ou de Bon jovi ou Journey não desiludirá com esta pérola que é considerado nos dias de hoje um clássico.

Paul Rodgers- Voz e piano e co-guitarra em Can’t Get Enough

Mick Ralphs- Guitarra/Keyboards

Roz Burrell- Baixo

Simon Kirke- Bateria

Mel Collins- Saxofone em Don’t Let Me Down

Produzido por Bad Company Lançado em Junho de 1974

Monday, June 11, 2007

Bryan Adams- Reckless

Bryan Adams não foi só um rapaz de calças de ganga e de t-shirt cantando baladas pop e endoidecendo raparigas na década 80. ele sabia e ainda sabe fazer um bom rock in roll, límpido, directo e por vezes até pesado. Reckless por sinal é o que melhor sintetiza a sua maestria. Mesmo antes deste grande clássico Bryan Adams já estava no mundo da musica lançando três álbuns de grande qualidade (Bryan Adams, You Want It, You Got It e Cuts Like A Knife) mas foi com Reckless que acertou, devido á grande variação musical e inspiração, e também por ser o trabalho menos pesado e mais acessível. Keith Scott (guitarrista) que acompanha Bryan Adams desde o inicio da carreira, fazendo dupla com o próprio Adams nas guitarras ritmicas, demonstra um talento fora do vulgar em tocar solos bem competentes e agradáveis (ao vivo chega a tocar 10 minutos tal como Brian May a tocar Brightom Rock), é elemento bem fundamental para a constituição da banda. Ironicamente estávamos numa época em que as tabelas eram dominadas por sintetizadores (tipo Tears For Fears, Madonna, Despeche Mode) Bryan Adams cingiu-se ás armas e ofereceu uma elite de clássicos do rock que vale a pena lembrar. Vamos a isso:

One Love Affair- simplesmente uma grande musica. Veiculada por um clima pop/rock, a vocal de Bryan está em grande forma, muito melodiosa, o álbum abre em grande estilo.


She’s Only Happy When She’s Happy- de estilo rock in roll bem básico com um feeling «cool», agradável de ouvir e dificil de detestar.


Run To You- quem não conhece esta faixa! Um grande clássico na década 80, em que passava fartamente nas discotecas e nas rádios (e ainda hoje passa), com um grande riff, bem trabalhada e muito comercial, de formato pop.


Heaven- Uma super balada muito pop, chegou a numero um nos EUA. As teclas dominam de uma forma magistral, faz qualquer um tremer de emoção (‘tou a exagerar). Só acho pena que esta faixa tenha sido evitada nos dias de hoje, por sinal é uma grande canção.


Somebody- espectáculo! É tudo o que posso dizer. Tem um certo feeling de estarmos a ouvir ao vivo, porque os refrães apelem muito a que o publico acompanhe o cantor, cheia de energia é um clássico absoluto de rock in roll e como não podemos deixar de esquecer Keith Scott faz um solo formidável.


Summer Of ’69- mais um grande clássico de Bryan. A letra fala basicamente da adolescência de Bryan com uma certa ironia, o intro é fantástico com grande riffs, uma faixa bem ao estilo de pop/rock que passou extensas vezes na MTV. Agrada muito ao ouvinte é difícil de detestar. Curiosamente Bryan tocou esta faixa ao vivo no Pavilhão Atlântico em versão acoustica, que eu detestei, merecia ter mais destaque e um formato original, e a Somebody infelizmente foi esquecida.


Kids Wanna Rock- Rock da pesada. A letra é bem engraçada e simples. Apela a que os Djs das rádios toquem mais rock, o Disco e New Wave recebe uma espécie de duras criticas por parte de Adams, mas isso tudo numa brincadeira.


It’s Only Love- Bryan canta em parceria com Tina Turner este clássico. Bem energético mas que demonstra ser uma faixa roqueira como se Tina estivesse a voltar aos velhos tempos, vozes impecáveis mas sofre por ser uma faixa um bocado desordenada e directa.


Long Gone- uma das minhas faixas favoritas, Bryan Adams está fenomenal na voz de cronner, com uma batida bem pesada e mais uma vez apresentamos um dos grandes guitarristas: Keith Scott em grande estilo.


Ain’t Gonna Cry- o inicio surpreende qualquer um pela entrada das baquetas com todo o furor e fúria. O baixo também se torna audível. Está aqui um pouco de tudo, é uma faixa com um rock in roll bem relaxado e mais uma vez Bryan usa a voz de cronner, com refrães pegajosos e energéticos e Keith brilha mais uma vez com um solo bem distorcido. Ou seja o álbum encerra em grande estilo.


Bryan adams só descobriu o seu estrelato definitivo com (Everything I Do) I Do It For You mas a sua verdadeira obra olha desde para trás até ao seu ultimo álbum. Se para quem prefere um rock mais pesado (chegando mesmo ao hard rock) aconselho vivamente Waking The Neighbours. Bryan Adams sempre recusou o estatuto de superstar sendo sempre o mesmo musico desde o inicio, ou seja sincero sem mudanças sonoras, fazendo aquilo que ele mais gosta de fazer: tocar guitarra, é esse o eterno adolescente que traz grandes surpresas e muito rock in roll. O trabalho Reckless é um dos meus álbums favoritos da década 80 e o melhor da carreira de Bryan Adams. É intemporal.


Lançado a Fevereiro de 1985

Produzido por Bob Clearmountain

David Bowie- Alladin Sane (1972)


David Bowie tem razões para sorrir após ter produzido enormes sucessos de artistas de renome conhecidos como os Mott The Hopple (em All The Young Dudes) e Lou Reed (em Transformer) e de ter a imprensa ao seu lado pela primeira vez graças ao incontestável álbum que é considerado um dos grandes clássicos da era Glam Rock, o Ziggy Stardust. Mesmo antes de Ziggy Stardust David Bowie já haveria criado grandes clássicos como o folklórico Space Oddity, o muito hard rock em The Man Who Sold The World e o variado acústico de Hunky Dory. David Bowie criara a sua própria personagem fortemente influenciada por Iggy Pop e Mark Bolan mas ao mesmo tempo com um estilo único, com trajes futuristas, cabelo em forma avermelhado de cenoura e muita excentricidade, desse mesmo visual levara-o a identificar-se como superstar. Aladdin Sane é todo composto liricamente e musicalmente por David Bowie a acrescentar ainda uma cover dos Rolling Stones (Let’s Spend The Night Together). A banda acompanhada é Mike Garson no piano (abandonado por Rick Wakeman) que cria climas extraordinários, Mick Ronson na guitarra (grande guitarrista), Trevor Bolden no baixo, Woody Woodmansey na bateria e como gospel vai Linda Lewis, os irmãos MacCormack e Juanita Franklin. Fortemente influenciado pelo livro "Vile Bodies" de Evelyn Waugh, onde visões de Armageddon, a eliminação da diferença entre os sexos, como também a conquista da vida sobre a morte e sobre o conceito que conhecemos como tempo. Todas as coisas resultam desse mesmo disco, mas não indo à conceptualidade. O álbum abre com o muito rock stoniano WATCH THAT MAN, de clima Exile On Main Street, mas o que torna ainda comparativo é pela backing vocals e sopros ai adicionados, realçando uma fórmula empolgante. A próxima faixa é uma obra prima. O título da canção, Aladdin Sane é na verdade um arranjo discreto de "A lad insane", um rapaz insano. Ao lado do nome, existe três datas em parênteses, 1913 - 1938 - 197?. Os primeiros dois anos têm em comum de serem anos de vésperas do inicio da Primeira e Segunda Guerra Mundial, respectivamente. É apenas natural supor que a terceira lacuna, especula sem determinar a véspera da Terceira Guerra Mundial, ou seja, um mistério já resolvido visto que já ultrapassámos esse tempo. Liricamente representa algo abominável, o povo inglês que vivia cheio de prazeres e depois vem o inevitável, a Grande Guerra, em que as pessoas iriam à tona sendo lançado a um holocausto sem fim, é uma metamorfose do que a América está a ser. Drive In Saturday parte do pressuposto, que o povo depois do holocausto, agredido pela radiação que ataca os órgãos sexuais e atrofiam os instintos, acaba por esquecer como amar com relações sexuais. Sobra como opção de tentar reaprender assistindo a filmes nos drive-ins. Outra faixa, Panic In Detroit nasceu de uma conversa entre Iggy Pop em que sonhava sobre a pura anarquia e rebelião contra o sistema com os seus amigos da escola, entrincheirados de metralhadoras e uma boina na cabeça. Depois de Iggy ter ido embora David imaginou-o como um Che Guevara membro da Gangue Nacional do Povo, é uma canção algo pesado à la Bo Diddley com ritmos de Mick Rosnson. Cracked Actor apresenta-nos como personagem, um actor envelhecido e decadente, mal intencionado e mercenário. Time abre o segundo lado trazendo de volta Mike Garson com seu piano que nos remete directo para o teatro. Bowie interpreta e questiona no melhor estilo Brecht - Weill, a máxima de Shakespere, ao reflectir que o mundo não é um palco mas sim um camarim. E ao pisar no palco, o tempo pára. A frase (...) demanding Billy Dolls (...), é uma referência a Billy Murcia, baterista do New York Dolls que acabara de morrer em Londres no Verão. Sem duvida uma balada excepcional com gospel no seu melhor estilo, inovador. A coverizada Let’s Spend The Night Togheter, um rock duro, rugoso e simples fala da heterossexual da década de sessenta Bowie parece tentar alterá-la implicando a ideia de que fora composta falando sobre a homossexualidade. Jean Genie de grandes riffs mostrando um Mick Ronson puro com a sua Gibson, uma canção hard rock que se tornou num dos grandes singles do século XX e da década de setenta. Finalmente fechando, Lady Grinning Soul uma das interpretações mais bonitas de David Bowie em toda sua carreira. Essa balada é lindamente arranjada com violões de seis e doze cordas, além de um piano riquíssimo, novamente nas mãos de Garson. Não é um álbum conceptual, muito pelo contrário, é simplesmente uma selecção de grandes faixas resumidas a serem ouvidas e sancionadas pela curiosidade, vale a pena ouvir e “reouvir” uma grande colecção de sublimes baladas e rock speedado, um álbum verdadeiramente glam rock. Conta com a produção de David Bowie e Ken Scott. Embora que o álbum que mais oiço e goste seja o conceitual Ziggy Stardust o Aladdin Sane está entre os melhores deste grande mestre.