Thursday, October 18, 2007

Iron Maiden- Dance Of Death

Quando li que os Iron Maiden iam lançar material novo eu fiquei estupefacto. Afinal os Iron Maiden são os campeões do Olimpo Do Heavy Metal. Quando ouvi o excelente e já clássico A Brave New World senti que eles tinham ainda muitos truques na manga. Com Dance Of Death a banda arriscou ainda mais com teclados, composições épicas e muito virtuosismo, principalmente do grande guitarrista, senão o melhor do heavy metal, Adrian Smith. O único ponto negativo é a capa, que deixa muito a desejar. Vamos ao set list:
Wildest Dreams- Como já é tradição o álbum abre com mais uma faixa hard rock/metal. Uma musica típica e amigável para as rádios rock, com refrães inesquecíveis e puramente rock and roll para relaxar para o que vem ai. Foi o primeiro single promocional do álbum.

Rainmaker- É curioso como á medida que vão envelhecendo alguns vocalistas têm as linhas vocais ainda melhores que no passado e é o que se passa como Bruce Dickinson. A voz dele está melhor do que nunca! Não é uma canção muito pesada mas não deixa de ser interessante e a letra é linda. O trio de guitarras funciona perfeitamente bem o que prova que os críticos estavam errados. É o segundo single promocional.

No More Lies- Uma das minhas favoritas e certamente uma canção para os fãs cantarem em pleno estádio o refrão. É a primeira faixa épica que se encontra no álbum e podem ter a certeza que a grandiosidade está bem presente e para não falar da voz de Bruce: excepcional! É a única só com Steve Harris na composição.

Montségur- uma faixa baseada em acontecimentos históricos (de como a igreja católica destruiu tudo e todos os que habitavam em Montségur só porque eles eram livres) com uma certa influência do álbum Powerslave. Uma das melhores composições da banda e um forte cuidado nas vozes/guitarras. Tem uma melodia marcante sem duvida e uma das minhas favoritas.

Dance Of Death- a mais épica do álbum mas não a menos inspirada. A canção começa calma como se estivesse a ficar cada vez mais pesada numa balança até chegar ao ponto vermelho e depois retomar ao inicio. A letra conta uma história digna de Andre Breton. Trata-se dum conto sobre um sonho e a questão se foi verdadeiro ou não. Temos também um solo magnifico nas guitarra (a cena flamenca faz lembrar muito a Innuendo dos Queen). A habilidade com que a banda expressa tanto instrumental como na voz é impressionante. Quem adora canções épicas adora esta.

Gates Of Tomorrow- Poderia ser mais uma canção tradicional da banda se não fosse as vozes trabalhadas de Bruce Dickinson. Pela primeira vez Bruce usa vozes dobradas o que até pode não agradar a fãs mais tradicionais mas mais uma vez a banda arrisca em experimentações. É uma canção de grande qualidade sem duvida mas a letra consegue surpreender ainda mais. É engraçado como o intro faz lembrar o clássico dos The Who, Won’t Get Folled Again. Mais uma que não desilude.

New Frontier- Quase vinte anos depois pela primeira vez o baterista Nicko Mcbrain compõe algo juntamente com os seus colegas! A sétima faixa é uma espécie de intervalo para relaxar. Não há mais nada a dizer. Mas não deixa de ser interessante.

Paschendale- Mais uma canção baseada em acontecimentos históricos, desta vez baseada numa das maiores batalhas em plena Primeira Guerra Mundial. Não é uma canção muito vulgar na obra da banda. tem novos elementos como as teclas e orquestras. Tanto no som como na letra supera tudo o que a banda já fez em toda a vida. Cheio de virtuosismo e ambiente é uma das faixas mais magnificas e surpreendentes que a banda já fez. O refrão pega-nos até ao fim. Só pela curiosidade quando se ouve os pratos na percussão trata-ste do código Morse. Esta é realmente a minha favorita e certamente vai fazer os Pink Floyd roer de inveja já que trata-se de terreno progressista.

Face In The Sand- a letra trata-se certamente sobre problemas existencialistas e o significado da vida. Começa como uma balada mas de repente o peso entra em velocidade furiosa. As orquestrações da guitarra estão magnificamente bem ilustradas. É raras as vezes que Nicko Mcbrain usa pedal duplo na bateria. Parece ser uma canção de raizes tribalistas mas com peso. Voltando ao intro é simplesmente fantástico como uma banda consegue fazer uma coisa destas.

Age Of Innocence- esta é talvez a canção mais tradicional da banda e também simples. A voz de Bruce mais uma vez espanta os mais distraídos. Os riffs absolutamente inspirados dão para um headbanger abanar o capacete. O baixo de Steve Harris está bem audível. Quanto à letra está muito bem estruturada. É a história sobre a sociedade dos dias de hoje e tem umas linhas que até parece criticar o novo código penal.

Journeyman- A canção mais ousada que a banda já fez e a mais linda que até quem não curte heavy metal vai adorá-la na mesma. Certamente se fosse single seria logo um exito estrondoso mas a banda recusou-se a lançar para não se venderem. Parece também ser uma balada mais orientada para a discografia a solo de Bruce. É uma composição que parece não fazer parte deste mundo, as guitarras acústicas e a voz de Bruce e também as orquestrações para dar mais vida ao ambiente sonoro enriquecem ainda mais esta balada inultrapassável. Eu quero ver os Bon Jovi fazerem melhor que isto.

Este é o segundo álbum da actual formação e concluindo é uma obra prima grandiosa, uma viagem sem retorno e inesquecível. Raramente nos dias de hoje alguém consegue criar algo excepcional no cenário metaleiro mas a banda excedeu-se e foi mais além. Para quem espera que os Iron Maiden tragam de volta o som dos anos 80 bem podem esperar sentados. Estes são os novos Iron Maiden que começaram com A Brave New World (2000), com uma nova sonoridade e única neste planeta. Depois de deste e de A Matter Of Life And Death espero que consigam surpreender mais uma vez.. Os Iron Maiden são a melhor banda metaleira no mundo, sem duvida e ainda não perderam terreno. Nos dias de hoje no mundo da musica actual é difícil de surpreender mas eles conseguiram com uma facilidade. Se quem não gosta dos Iron Maiden e pensam que ainda são como nos anos 80 então não sabem o que perdem. Eles estão mais grandiosos do que nunca!


1. Wildest Dreams

2. Rainmaker

3. No More Lies

4. Montsegur

5. Dance of Death

6. Gates of Tomorrow

7. New Frontier

8. Paschendale

9. Face in the Sand

10. Age of Innocence

11. Journeyman

68 min.


Bruce Dickinson (voz)

Dave Murray (guitarra)

Adrian Smith (guitarra)

Janick Gers (guitarra)

Steve Harris (baixo)

Nicko McBrain (bateria)

Metallica. Kill 'Em All (1983)

Lars Ulrich e James Hetfield fundaram os Metallica em 1981 e recrutaram dois novos membros: Ron McGovney (baixo) e Dave Mustaine (guitarra solo). O baixista ficou pouco tempo na banda devido ao som trash que decepcionava-o e vendeu o seu equipamento musical. Cliff Burton substituiu-o. No inicio de 1982. Lars Ulrich convenceu Brian Slagel da gravadora Metal Blade para incluir “Hit The Lights” na compilação Metal Massacre. O que chamou mais a atenção no meio underground foi devido à canção No Life ‘Til Leather que foi lançada ao vivo no Metal Up Your Ass. Dave Mustaine é despedido de seguida devido ao comportamento ageressivo e destrutivo graças ao uso das drogas e álcool. Dave Mustaine jurou que iria formar uma banda mais rápida e pesada que os Metallica, uma promessa que conseguiu cumprir por sinal. Kirk Hammett, que pertencera à banda Exodus (ainda em actividade), entra para os Metallica e uma das razões de ter sido aprovado pela banda foi o seu estilo de tocar heavy metal mais europeu. No inicio de 1983 a banda viajou até Rochester para gravar a primeira longa-duração.
A banda queria que o primeiro álbum intitulasse Metal Up Your Ass, isso gerou conflitos entre a gravadora e a banda e fez com que mudassem o nome para Kill ‘Em All (“matá-los a todos”). O álbum não foi um sucesso tanto nos tops como financeiros mas foi o suficiente para angariar uma base de fãs fiéis no underground. É sobre Kill ‘Em All que vou escrever. Kill ‘Em All é talvez o álbum mais cru e pesado que a banda já fez. Uma das razões a que se deve isso são pelas influências vindas das bandas como os Venon, Black Sabbath, Iron Maiden, Motorhead ou Diamond Head. O som punk rock também está claramente presente, principalmente das influências de The Ramones ou Misfitis.

Hits The Lights, a faixa que abre o álbum, foi a primeira a ser composta pela dupla Hetfield/Ulrich. A canção fala sobre o estilo de vida dentro do heavy metal, a estrada e os fãs. O refrão é lento e é talvez a melhor que Dave Mustaine tocou ao vivo antes de ter sido expulso da banda. The Four Horsemen é a mais longa do álbum (+ de 7 min). Foi escrita por Ulrich, Hetfield e Mustaine. The Mechanix era o titulo anterior. A letra foi alterada na ultima hora. A original pode-se encontrar no primeiro álbum dos Megadeth: Killing Is My Business...And Business Is Good!. Há quem acredite que a letra vem da parte do Apocalipse na Biblia ou que os Horsemen sejam os próprios Metallica. Seja como for é uma das mais pedidas nos concertos pelos fãs. Jump In The Fire será sempre a minha favorita. Mais uma que contou com a participação de Dave Mustaine. A letra relata o ponto de vista do Demónio sobre os assassinatos e as suas acções. (Anesthesia) Pulling Teeth é uma instrumental surpreendente pelo facto de ter só a participação de Cilff Burton no baixo acompanhado por efeitos do pedal wah-wah e tapping. Antes de Cliff Burton entrar para a banda, James Hetfield e Lars Ulrich ficaram bastante impressionados com a técnica de Cliff Burton e sem pensarem duas vezes quiseram logo o baixista na banda. Whiplash é uma das faixas que mais se destacam do álbum tanto pela introdução da bateria de Lars como pelos riffs meios speed metal. A letra é um tributo aos headbangers ("...thrashing all around, acting like a maniac, whiplash!..") e aos fãs dos Metallica ("But we'll never stop, we'll never quit, 'cause we're Metallica" to "But we'll never stop, we'll never quit, 'cause we're Metallica"). Seek And Destroy é talvez a mais lenta do resto mas não a menos pesada. O refrão inesquecível de certeza que fará o espectador cantar até cansar. Digna de fechar os concertos da banda.

Poderia estar aqui a escrever sobre o resto das faixas mas seria forçar as coisas, escrevi sobre aquelas que curto realmente e isso não quer dizer que não curte o resto. Kill ‘Em All é um dos álbuns que testemunhou a cena trash metal na Bay Area e considerado um dos melhores momentos da discografia da banda. Agressividade e peso estão bem presentes no primeiro registo da banda. agora vamos lá a ver se o próximo que vem não decepciona.


"Hit the Lights" (Dave Mustaine, James Hetfield, Lars Ulrich) – 4:17

"The Four Horsemen" (Hetfield, Ulrich, Mustaine) – 7:12

"Motorbreath" (Hetfield) – 3:08

"Jump in the Fire" (Hetfield, Ulrich, Mustaine) – 4:41

"(Anesthesia) Pulling Teeth" (Cliff Burton) – 4:14

"Whiplash" (Hetfield, Ulrich) – 4:10

"Phantom Lord" (Hetfield, Ulrich, Mustaine) – 5:01

"No Remorse" (Hetfield, Ulrich) – 6:26

"Seek & Destroy" (Hetfield, Ulrich) – 6:55

"Metal Militia" (Hetfield, Ulrich, Mustaine) – 5:09


James Hetfield: Guitarra/voz

Kirk Hammett: Solo Guitarra

Lars Ulrich: Bateria

Cliff Burton: Baixo

Thursday, October 11, 2007

Xutos & Pontapés- Dizer Não De Vez (1992)

Dizer Não De Vez Uma instituição como esta de grande valor nacional nunca deve ser esquecida. Os Xutos & Pontapés engrandeceram o rock português no inicio da década 80 e foram uma das poucas que sobreviveram na companhia dos GNR e Rui Veloso. Começaram bem com os anos 90, depois do lançamento do álbum negro, Gritos Mudos onde transpuseram todas as mágoas e feridas difíceis de sarar com o passar dos anos. Com o Dizer Não De Vez as letra escrevem-se sob a imagem objectiva envergando pelos problemas sociais ainda hoje actuais, o dia a dia, o trabalho, o patrão, a vida urbana e o típico português que tinha que aturar dificuldades, ou seja este álbum é a nossa alma que talvez não fique resolvida. O primeiro tema, Hás-de Ver, fala sobre esperança, enquadra-se na perfeição no dilema pop/rock para rádios. A deprimida Lugar Nenhum apresenta uma melodia melancólica e badaleira. Épica encarna na perfeição a tristeza e o vulto do som em espiral. Perfeito! Para quem disse que os Xutos nunca tocaram blues isso é mentira! Poço de Salvação é acompanhada pela instrumentalização típica e ainda uma harmónica. Seria uma faixa típica de Howlin’ Wolf se não fosse o caso de cantar em português. Patrão, salário e empregado tomem conta do Dia De S. Receber. A bateria de Kalú fala ainda mais alto. Refrão pop e guitarradas hard rock acompanhado pela dupla de mestres Cabeleira/Pedro sintonizam com Velha Canção Da Cortiça. A letra podia ser um hino aos trabalhadores que desprezam tudo o que é abuso nesta sociedade utópica. Um hino ao comunismo talvez. Estupidez traz uma melodia um pouco semelhante a Back In Black mas sem plagiar, os Xutos renovam à sua maneira. Esta faixa é mesmo uma bomba! Os refrães sarcásticos, os riffs e a voz pseudo rapper de Tim estão a 100%. Eram os tempos das vacas gordas ou ainda serão? Chuva Dissolvente é uma das canções mais belas que os Xutos já fizeram. O dia a dia, a vontade de viver e as pessoas que desaparecem com o passar do tempo neste meio urbano. Os Xutos demonstram um vigor em acompanharem a sociedade urbana portuguesa nas suas composições. Lei Animal abre com uma introdução de ritmos africanos para depois alterar o estado e sobressair os Xutos. O esquadrão põe a mote o hard rock com riffs incansáveis de ouvir e um Tim enlouquecido pelo seu lado animalesco. Passou-se de vez! Está mesmo em Alta Rotação este tema e que tema! Rápido e equilibrado pelo diluvio de riffs e vozes em uníssono que faz um verdadeiro rocker mandar tudo pelos ares. São toneladas de rock em espiral! O Que Foi Não Volta A Ser suga um pouco do som á la Circo De Feras (o inicio) e sem exageros mas parece pegar um pouco a sintonia Police. Este álbum ilustra na perfeição a sonoridade noventa que os Xutos estrearam com Gritos Mudos. Rock Na Roll de qualidade! Foi lançado em Fevereiro de 1992. Só peca pelo fraco trabalho na remastirização mas de resto está perfeito.

Aqui vão mais reviews


A banda QOTSA surgiu a partir de uma banda anterior, oriunda de Califórnia, Kyuss. Apesar de não ter o reconhecimento total seriam uma banda de culto no meio underground. Josh Homme, Nick Oliveri e Alfredo Hernandez (só participou no primeiro álbum) montaram uma nova banda mas sem fugirem muito do estilo (ou sub género) Stoner Rock projectado pela antiga banda, sob o nome de Queen Of The Stone Age. Depois do lançamento do primeiro álbum no ano de1998, a banda acompanhou os Smashing Pumpkins, Bad Religion, Hole e Rage Against Machine durante dois anos. Só em 2000 é que a banda volta para o estúdio para gravar Rated R que apesar do entusiasmo das criticas não vende lá muito bem. O disco teve dois bateristas: Gene Troutman e Nicky Lucero. Rated R ou simplesmente R tem participações especiais de Rob Halford (Judas Priest), Mark Lanegan (Screaming Trees) e Nick Oliveri (Mondo Generator). A sonoridade do álbum é mais experimental e acessível mas sem perder a identidade da banda. O segundo single The Lost Art of Keeping a Secret tem um conceito agradável para as rádios e MTV mas também foi ignorada devido ao conteudo das letras. o single Feel Good Hit Of The Summer foi ignorada pelas rádios por causa do conteúdo da letra que falava abertamente sobre drogas, mas não deixou de ser um clássico. O álbum em si é perfeito e não vai enjoar a audição do ouvinte. Há composições bem interessantes como Legs Of Lamb com uma sonoridade irresistível e quase pop ou Better Living Through Chemistry que conta com um trajecto psicadélico e ambientes alternados entre a velocidade e as multi vozes como um redemoinho. Uma das marcas mais conhecidas da banda é não haver limite de experimentação como se tratassem dos Sonic Youth, como por exemplo Monsters In The Parasol, que curiosamente é um bom candidato a single, consegue criar riffs hipnotizantes. 1 minuto e 42 segundos de loucura e histeria estão bem presentes na faixa Quick And To The Pointless. O álbum também tem espaço para baladas como a agradável balada In The Fade. Há o descontrolado e infernal Tension Head, vai deixar o ouvinte antagónico e confuso. Lighthing Song é um instrumental agradável e calmo, parece que a banda desta vez deu espaço ás guitarras acústicas. Finalmente a banda chega ao extremo da experimentação com a faixa mais longa: I Think I Lost My Headache onde até está incluído instrumentos poucos convencionais para uma banda louca como esta, o saxofone e trompa. Durante a exaustiva digressão, depois do lançamento do álbum, a banda teve uma participação memorável no Rock In Rio de 2001 depois de Oliveri tocar perante a plateia completamente nu. O álbum foi lançado sob o selo Interpole e também foi lançado em formato vinil com a capa vermelha que curiosamente até vendeu bem. O álbum foi produzido por Chris Gross e Josh Homme.

Wednesday, September 5, 2007

Freddie Mercury- 61 anos

Hoje o vocalista mais carismático do mundo fazia 61 anos se fosse vivo! A alma permanece bem viva na arte e obra que Freddie deixou. Faleceu no dia 24 de Novembro de 1991, em Londres. Como seriam os Queen hoje com Freddie ainda vivo?

(O verdadeiro nome de Freddie era Farrokh Bulsara, nasceu em Zanzibar)
Long Live Freddie!!!

Sunday, September 2, 2007

O que desenhei II






















































































Metallica- Metallica (1991)

Lançado no dia 14 de Agosto de 1991 e gravado em Los Angeles, o quinto álbum, foi um sucesso de vendas astronómicas até para uma banda de heavy metal. Black Album ou simplesmente Metallica deu-lhes um terceiro grammy e um inicio de uma nova era. Sem duvida que ...And Justice For All foi o ultimo álbum trash metal e Balck Metal o começo duma carreira rendável e a atenção seria toda virada para os mídias. Na produção ficou Bob Rock que trouxe um som comercial e mais acessível, um motivo bem forte para os fãs mais conservadores ficarem indignados com a banda. Como se não fosse impossível piorar, a complexidade e velocidade ficaram de fora. Se os Metallica venderam-se? Sem duvida. Mas temos que admitir que a banda estava numa excelente fase de criatividade desde os primeiros tempos e havia que aproveitar. As letras foram exclusivamente escritas por James Hestfield (acompnhado por Lars ou Hammett em algumas faixas) e até nota-se porque há um lado introspectivo nelas que faz sugerir isso. O álbum vendeu 14.95 cópias só nos EUA! A primeira faixa, Enter Sandman, fala sobre as crianças terem medo do escuro quando vão dormir. É uma das faixas mais conhecidas das bandas devido ao intro/solo memorável e ao refrão. No tempo 03:28 é o filho de Bob Rock que dá voz. Um clássico hard rock/metal sem duvida. Sad But True baseia-se no filme Magic, de 1978,(uma história sobre uma marioneta que controla o ventrículo) e é um dos pontos mais altos do álbum. O riff do baixo de Newsted arrebata mesmo os ouvidos e o toque funk da bateria de Lars não pragueja. Mais um sucesso de vendas nas tabelas americanas. Holier Than You começa agressivo mas depois segue uma linha mais hard rock. a canção fala sobre a hipocrisia da religião (“judge not lest ye be judged yourself” retirado da Bíblia, Mateus 7.1). Essa foi uma das razões da banda ser conhecida pelos religiosos fervorosos como uma banda anti-cristã e satânica. The Unforgiven é uma balada/rock propriamente dita que segue um pouco da linha Fade To Black. O famosos vídeo é uma obra prima e uma curta metragem. A canção vai dar continuação a outra: The Unforgiven II. A letra reflecte bem o estado de alguém que é ignorado pela sociedade ou conjunto de pessoas conhecidas. Wherever I May Roam começa com um lindo intro com participação do instrumento Sitar eléctrica (instrumento asiático) e entra Lars, a fera indomável, na bateria no tempo 0:30. A letra bem explícita reflecte a vida nómada e um estilo de vida na estrada. É óbvio que o estilo da canção é similar à da banda irlandesa Thin Lizzy. Don’t Tread On Me pode ser interpretada como uma canção patriótica pois conota-se com a associação “American Revolutionary War e o titulo da canção é a máxima dessa associação. “Give me liberty or give me death” é uma fala famosa do revolucionário Patrick Henry. Curiosamente James Hestfield detesta a canção pelo motivo de ser patriótica a mais, uma razão grande para nunca estar presente no set list da banda ao vivo. Through The Never situa-se em território tão conhecido pelos velhos fãs, o trash metal. Nothing Else Matters é talvez a primeira verdadeira balada criada pela banda. Tem a participação especial de Michael Kamen (famoso pelas baladas Who Wants To Live Forever e Everything I Do, dos Queen e Bryan Adams). A letra nostálgica e as guitarras estruturadas tem um facto curioso: um fã da banda que compre uma guitarra (seja eléctrica ou acústica) acaba sempre por tentar aprender os primeiros acordes nessa musica e isso até pode ser verdade já que fui testemunha num caso semelhante. A canção chegou a nº 11 na tabela Mainstream Rock tracks e foi um dos fortes motivos para o descontentamento dos fãs mais acérrimos. Um clássico nas rádios nacionais. A nona canção, Of Wolf And Man, inspirada no filme “Wolfen” pode também basear-se na Licantropia e o estado da transformação de homem para lobo. The God That Failed é uma canção muito pessoal de James Hestfield. Inspirada na morte da sua mãe, membro da Igreja Cientifica de Cristo, que recusou tratamento contra o cancro, acreditando que Deus podia curá-la é como se sabe ela acabou por morrer. Hestfield explicou que a letra Também tinha outro significado, o de ser excluído nos círculos de amigos na escola por ter pais demasiado religiosos. O intro da canção é simplesmente poderoso graças ao bom trabalho na bateria e baixa que actuam ao mesmo tempo. é uma das melhores faixas e das mais polémicas de sempre. My Friend Of Misery talvez seja o único ponto baixo do álbum. Apesar dos versos (pessimistas) muito bem estruturados a musica não está muito bem condicionada. Newsted queria que a faixa fosse um instrumental (este é o primeiro álbum sem um instrumental) o que não aconteceu. Finalmente ficamos com a ultima canção, The Struggle Within, uma faixa que aproxima-se muito do álbum St Anger, principalmente no intro, embora que o som seja até distante a estrutura não fica. No primeiro tempo James Hestfield interpreta um dos seus melhores momentos (faz lembrar muito o modo agressivo como Freddie Mercury interpreta em Stone Cold Crazy), uma faixa que apesar de nunca ter visto a luz do dia diante numa plateia, não deixa de ser uma das melhores. O álbum resultou num imenso sucesso e o nome Metallica foi apresentado definitivamente ao mundo. Eles vieram para cá ficarem!
Só espero bem não aturar outro Load e que tenham a mesma agressividade que tiveram de volta no St- Anger (mas sem a bateria tosca e faixas que ultrapassam 5 minutos e ainda por cima sem solos de guitarra), que seja o bom e velho trash metal!
1. Enter Sandman 2. Sad but True 3. Holier Than Thou 4. The Unforgiven 5. Wherever I May Roam 6. Don't Tread on Me 7. Through the Never 8. Nothing Else Matters 9. Of Wolf and Man 10. The God That Failed 11. My Friend of Misery 12. The Struggle Within
Produzido por Bob Rock, James Hetfield e Lars Ulrich. duração:62:16