Monday, August 27, 2007

Sunday, August 12, 2007

Magma- 1001 Degrees Centigrades (1971)



Um álbum muito fora do comum, uma sonoridade embrunhada entre vultos enlouquecidos pela manutenção do jazz/rockprogressivo/psicadélico/musica erudita que não deixa ninguém indiferente. É um álbum raríssimo de encontrar, portanto só mesmo p'ra sacar... são poucos os álbuns rock progressivo que prendem a minha atenção já que a minha alma está mais orientada para o peso e muito rock and roll

Para fazer download: http://a-taverna-do-barbaro.blogspot.com/2007/08/magma-1001-degrees-centigrades-1971.html

Michelangelo Antonioni (1912-2007)


Michelangelo Antonioni (Ferrara, 29 de setembro de 1912Roma, 30 de Julho de 2007)

Faleceu um grande cineasta de origem italiana. Para quem gosta de porrada e muita acção e efeitos especiais bem pode esquecer, a obra de Michaelangelo é sinónimo de um sentimento realista e existencialista. Chegou a trabalhar para Roberto Rossellini.
Descanse em paz...


O primeiro filme que presenciei...é de cortar a respiração...

Monday, July 2, 2007

The Who- Who's Next


The Who- Who's Next Considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos, Who’s Next, foi lançado em 1971 no dia 25 de Agosto no Reino Unido, a explorou todas as técnicas e tecnologia de estúdio até a limite e foi uma das primeiras bandas a utilizar sintetizadores e samples. Esta obra prima é reconhecida como a maior obra prima da banda tanto pelo publico como pelos críticos. O álbum surgiu das cinzas do desastroso projecto Lifehouse que não chegou a ver a luz do dia. Pete Townshend pretendia organizar um concerto e utilizar os dados pessoais do publico para depois transferir para um sintetizador análogo ARP para criar musicas contínuas que complementava num só como se tratasse duma história cinematográfica, apesar de ser também um dos objectivos de Pete Townshend em criar um filme. O projecto comprovou ser irrealizável de vários maneiras, o que provocou um grande desentendimento entre Pete e o produtor da banda, Kit Lambert, levando o guitarrista às raias de um colapso nervoso quase suicida. A banda começou tudo no zero, apesar de aproveitarem de algumas canções do projecto Lifehouse, foi graças ao engenheiro de som, Glyn Johns que proporcionou uma nova visão que revolucionou todo o álbum e de imediato iria transformar todas as faixas em clássicos do rock. O álbum apresenta arranjos de grande qualidade, com grandes avanços, com um resultado absolutamente espantoso para a época, e praticamente inédito no rock. Who’s Next começou por ser divulgado informalmente com a banda a tocar o material na sala de espectáculos Young Vic, em Londres, em três Segundas feiras consecutivas na Primavera de 1971. O álbum abre com Baba O’Riley, um dos temas do projecto Lifehouse, tem a maravilhosa introdução, edificada de uma forma soberba graças ao sintetizador ARP e ainda um solo de violino por Dave Arbus. Uma das melhores faixas, sem duvida. Bargain, puro hard rock, estimulante e poderoso com uma secção psicadélica no centro da faixa. A letra relata sobre a baixa auto-estima do guitarrista. Love Ain’t For Keeping é justamente rock mas mais soft e uma mistura funk. My Wife é um tema enlouquecido, boogie destravado e vozes corais em tom grave. Um rock and roll doutra maneira. A balada The Song Is Over atinge um sinal épico e o apogeu do lirismo que Pete tanto tenta. Os sintetizadores dão vida á faixa e um ambiente quase surrealistico. Para quem duvidasse da capacidade dos The Who para criarem um tema subtil de paixão The Song Is Over diz tudo. Gettin In Tune começa calma, com Pete Townshend no piano mas o refrão atinge o máximo de força até não mais poder. Uma balada moderna para aqueles tempos. Deveria ser lançado como single devido ao seu potencial. Going Mobile é a única cantada unicamente por Pete Townshend o que prova que sabe cantar tão bem como Roger Daltrey. Behind Blues Eyes é actualmente mais conhecida por ser um êxito dos Limb Bizkit, mas os The Who já eram donos deste tema excepcional mesmo antes de ser apresentado á nova geração. A versão original como sempre consegue superar a cópia. Roger Daltrey consegue ter a proeza de cantar o tema magnificamente como nenhum seria capaz com este tema. Um clássico, disso ninguém duvida. O tema mais épico da banda é também o melhor. Falo de Won’t Get Foleed Again. Uma viagem interminável com riffs poderosos da guitarra de Pete, sintetizadores com sonoridades nunca antes imaginadas pelo homem, a bateria furiosa do frenético Keith Moon e um baixo estrondeante de John Entwhiste. Presença obrigatória em todos os concertos! quanto á capa do disco traz uma fotografia da banda que acabou de urinar num imenso bloco de concreto; a foto parece ser uma referência ao monolito descoberto na Lua no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, que fora lançado apenas três anos antes. O “monumental” desrespeito pode ser também, assim como o título do disco, uma recusa simbólica da banda de passar o restante de sua carreira tocando Tommy. O mictório de pedra presente na capa fica em Easington District Collliery, em County Durham. O projecto inicial para a capa apresentava fotos de mulheres grotescamente obesas e nuas, sendo amplamente divulgada mas nunca apareceu no álbum. Outra capa diferente trazia o baterista Keith Moon a usar uma lingerie preta, um chicote e de peruca loira (esta foto apareceu no livrete do CD remasterizado). Por ultimo, a banda nunca foi tão criativa como neste álbum. É um clássico que se consegue ouvir incansavelmente durante uma vida inteira.

LP: "Baba O'Riley" – 5:59 "Bargain" – 5:34 "Love Ain't for Keepin'" – 2:11 "My Wife" (Entwistle) – 3:41 "The Song Is Over" – 6:16 "Getting in Tune" – 4:50 "Going Mobile" – 3:43 "Behind Blue Eyes" – 3:39 "Won't Get Fooled Again" – 8:32

Metallica- Master Of Puppets

Esqueçam os anos 90 em que os Metallica apareciam sempre no MTV, esqueçam o seu som comercial, a sua impotência, as suas almas vendidas para o diabo e tentam lembrar-se dos verdadeiros Metallica, uma banda de trash metal. Após este grande álbum, cheio de energia, maduro e vertiginoso, injustamente morreria Cliff Burton, baixista, num acidente de autocarro durante a tour, na Suécia, em 1986. Mesmo sem um Hit, sem passar nas rádios ou na televisão, Master Of Puppets conseguiu vender mais de 500.000 cópias! Kill ‘Em All (o mais feroz de todos) e Master Of Puppets são considerados os melhores segundo os fãs. Aqui neste maravilhoso fogo o álbum é determinado por uma agressividade extrema no entanto musicalmente muito mais elaborado, as letras muito mais profundas e agressivas tornam-se mais progressivas donde forjaram uma batida única e martelada. Battery cai um bocado de lado quanto ao som, o intro é fantástico, donde abre com uma melodia calma passando de repente para algo agressivo que iria perdurar até ao álbum inteiro. Master Of Puppets, unico! Para quem é fã metaleiro deve gostar realmente desta pérola, com refrães sem misericórdia (...”Master, Master, Just call my name, ‘cause i’ll hear you scream”...). The Thing That Should Not Be traz algumas partes influenciadas pelo ultimo, o Ride The Lighting, mas excelente na mesma. A voz de James Hetfield mostra-se espantosamente melodiosa e aguda passando de seguida para algo grave em Welcome Home (Saturium). Agora vem a minha favorita, Disposable Heroes rápida, veloz, riffs a uma velocidade acima de um raio de luz dispensa de apresentações. 100% trash metal, letras arrogantes e enraivadas (...”You coward, you servant, you blind man...”) sobre morte e guerra, com grandes solos (já clássicos) de Kirk Hammett e de uma duração de mais de 8 minutos de agressividade extrema, pena não ser single. Leper Messiah, enche já esta usina cheia de clássicos, mais uma vez espanta a todos e a ninguém com grandes riffs e solos, mas curiosamente já mostra alguma influência do que está para vir (tanto no ...And Justice For All como no Black Album), o ponto alto está também para Lars na bateria. Orion, é um instrumental com grandes solos de baixo do falecido Cliff e guitarrada de Kirk, começando num ambiente calmo e quase silencioso alternado para algo como se movesse como vento, tornado mais pesado com o passar do tempo! Damage, INC fecha em grande estilo, um tema forte (“…Blood will follow blood, Dying time is here, Damage Incorporated…”) para destaque vai os solos rápidos de Kirk. Infelizmente depois deste só haveria álbuns de pouca qualidade e com o tempo foram perdendo a sonoridade enraivecida que já era marca registada dos Metallica.

Monday, June 25, 2007

Dire Straits- Dire Straits

Os Dire Straits foram uma das bandas mais carismáticas no final da década 70 e metade de 80. Formada em 1976 pelo guitarrista/vocalista Mark Knopler, que antes era professor de literatura inglesa, pelo seu irmão, também guitarrista, David Knopler , o baixista John Illsley e o baterista Pick Withers. Com esta formação gravaram a demo Sultans Of Swing que rapidamente tornou-se num sucesso no meio underground. Em 1977 seguiram numa digressão mundial para a primeira parte dos Talking Heads. Nesse mesmo tempo foram contratados pela Vertigo onde, como se sabe, gravaram o seu primeiro álbum. Curiosamente os Dire Straits alcançaram sucesso nas paradas britânicas no meio do punk e new wave que dominavam desde então o mercado inglês. O som da banda era demasiado complexo, tipicamente pub e com raizes country americano, rock clássico, jazz e influências fortes de J. J. Cale o que faz a banda sair da corrente musical que se vivia naquela altura. Mark Knopler, não só professor como também critico de rock, um guitar g«hero para as novas gerações, bonacheirão e indolente (voz arrastada como a de Bob Dylan, mas menos analasada), com uma técnica muito particular (os seus arpejos com as pontas dos dedos farão sofrer muitos guitarristas amadores), Mark Knopler apura com este primeiro álbum, produzido por Muff Winwood. O álbum abre com Down To The Waterline, o inicio fica para Mark Knopler na acústica passando para o country eléctrico, como se estivesse a ver um filme de cowboys. Water Of Love, lança um pouco de raízes africanas, percebe-se que a banda atravessa o seu melhor momento com este álbum. Setting Me Up, funk/rock descontraído com um pouco de influencias southern rock. Six Blade Knife, funk rock altamente pesado com influencias um pouco de hard rock do seu tempo. Southbound Again, um tema surpreendente, a voz de Mark Knopler encaixa perfeitamente nos velhoes blues. Um tema predilecto para quem ouve. Sultans Of Swing (nº 4 nos EUA e nº 8 no Reino Unido) é daqueles temas que fica para sempre na história da banda. a obra-prima de Mark Knopler que nunca mais conseguirá igualar e tentará imitar (como em Walk Of Life), o tema demonstra também um talento para o ambiente live, daqueles hinos de estádio, é claramente influenciado pelo jazz/rock. saiba-se que os System Of A Down coverizáram-na! In The Gallery, balada poderosa e doce , tema épico e magnificamente orquestrado pela técnica tipica de Mark Knopler. Marca também o aparecimento do lirismo mais progressivo (que tentará fazer em Love Over Gold). Wild West End é um tema ilustrado pela fórmula soul/pop/rock. Embelezada pela leveza da acalmação perfeita, um tema country e reflexivo. O pop perfeito que tantos artistas tentam encontrar (alguns conseguem) está no tema Lions, o tema apropriado para fechar este clássico. Podiam não saber mas os Dire Straits lançaram o melhor álbum (juntamente com Brothers In Arms), não cansará dele, vai impressioná-lo e ainda ouvir vezes sem contas o álbum que deu a conhecer a banda ao publico internacional. Um must.

Sunday, June 17, 2007

Patti Smith, A Maria Rapaz

Tudo começou numa bela manhã por volta das oito horas. Uma manhã gélida, as folhas acastanhadas de Outono embaralhavam-se no leito da estrada de alcatrão e num quiosque mesmo ao lado da paragem onde costumo apanhar o autocarro compro o jornal O Publico, o jornal de eleição para me actualizar. Até ai tudo bem. Como se sabe eu sou um fã feroz e sagaz que vivo no mundo de rock and roll e como se sabe mantenho-me informado sobre esse mundo paradoxo. Cada obra prima como A Night At The Opera ou The Wall representa um mundo para além deste mundo que toda a gente desconhece menos eu, um lugar só meu. Um esconderijo escondido em mim.
Não obstante, abro a página nº 24 da revista suplente «Y», uma revista obrigatória para comsumidores saciáveis de cultura e deparo-me para com Patti Smith. Sim o nome dela não me era estranho. Sim sabia de que década teve ela a sua primeira repercussão mas não sabia que musica fazia ela. Rock and Roll? Blues? Jazz? Ou Pop? O artigo não falava propriamente sobre essa tal cantora mas sim sobre o álbum Horses. as críticas, como pude observar, foram excelentes o que me levou a matar a minha curiosidade ao comprar estes álbum tão místico como pronunciara. Devo dar os meus parabéns pelo excelente artigo a Kathleen Gomes. O álbum representa, segundo a sua sonoridade, um post punk surgido dois anos antes da fama dele, uma maria-rapaz a cantar em altos berros mas com uma voz doce, bela e magistral. Liricamente, as letras retratam a sociedade, os tempos dificeis e os sonhos que temos que alcançá-los com muito esforço e suor. fala de Patti Smith na 1ª pessoa. Influências á parte só de Rimbaud, Jim Morrison e Bob Dylan, essas personagens tão conhecidas viriam a fazer parte da adolescência de Patti. A capa por si já vale muito no que diz respeito à cantora enraizada, fotografia tirada pelo fotógrafo lendário Robert Mapplephorpe e concepção da própria. Os musicos eram de alta qualidade e de um profissionalismo indeterminável, um deles fizera parte dos Television, o produtor era John Cale (ex-Velvet Underground). «Sou uma rapariga a fazer o que os gajos faziam habitualmente...», falara ela e bem. Um dia um critico vira um dos concertos de Patti e ficara surpreso por ela cuspir em palco e pronunciar algumas palavras «motherfuckers!». Era um dínamo vivo, basta ouvir a cover dos The Who, My Generation como bónus no Horses e saberão do que eu estou a falar. por fim saciei a minha curiosidade ao meter no meu PC e ligar no play. Foi um caso unico. bastou a musica para prevenir a loucura sobressaltada que ela transmitia. já descobri todos os cantos do mundo do rock in roll, já nada é novidade, saciei um pouco de tudo e até um mais de tudo. Como é vertiginoso este caminho. Como dizia Freddie:« O espectáculo deve continuar» e com toda a razão. O Horses foi um dos poucos e restantes álbuns a surpreender-me e curiosamente descobri por fim quem era a misteriosa intérprete que cantava «Because The Night», que passava frequentemente na rádio Comercial. Mas agora sei. é certo que ela não era uma daquelas raparigas Pop stars como Britney Spears ou Jennifer Lopez. É certo que ela não tinha unhas pintadas, lábios com baton, pó de arroz ou um corpo perfeito como aparece nessas caras tão perfeitas e de falsos sorrisos em que se vê nos prémios da MTV. Mas ela tinha e ainda tem estilo. A poesia que conseguiu transmitir é surpreendente. Ela foi determinada a conseguir chegar aonde sempre quiz. Com esforço e muito suor. Nunca quiz fama. Só dignava que alguém entendesse a sua musica. Nos dias de hoje raparigas como esta já não há. Tudo culmina à perfeição. já não há sinceridade por trás das camâras. Como já disse só há Britney speares ou Jenifferes, ou seja a musica plástica. Trinta anos não bastaram para que Horses, o melhor de Patti, caisse no esquecimento. O artigo que aqui escrevo é pela simples razão de prestar homenagem á verdadeira musa da musica. Ave Patti Smith!